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CSA: da criação à implementação da Certificação de PLD-FTP mais completa do mercado
A Certificação CSA do IPLD foi recentemente reformulada para se tornar ainda mais direcionada. Ela se destaca por sua abordagem segmentada, oferecendo três categorias distintas: Avançada, Internacional e Brasil. Esta estrutura foi cuidadosamente elaborada para atender às diversas necessidades dos profissionais de PLD-FTP, permitindo uma capacitação mais eficaz. Em entrevista exclusiva, a Curadoria do IPLD composta por Ana Luiza Drummond, doutoranda pela USP e especialista em Prevenção à Lavagem de Dinheiro, Compliance e ESG, e Maria Luiza Batista, coordenadora da Curadoria do IPLD e mestre em Terrorismo e Segurança Internacional, detalham o processo de criação dessa certificação. Elas discutem os desafios enfrentados na elaboração dos conteúdos e destacam a importância da revisão periódica das provas, que garante que a certificação esteja sempre alinhada com as normativas mais recentes, tanto no Brasil quanto no cenário internacional. A Curadoria atua em três frentes principais no IPLD: definição estratégica, comunicação técnica e curadoria de conteúdos e eventos. Essa equipe é responsável por alinhar os produtos do Instituto às necessidades do mercado, desenvolver cursos de capacitação, elaborar relatórios técnicos e manter comunicação com órgãos reguladores. IPLD: A Certificação CSA é dividida em três categorias. Quais foram os critérios para a definição de cada categoria? Curadoria: A mudança foi motivada pela necessidade de oferecer uma certificação segmentada e específica, capaz de atender às diferentes demandas dos profissionais de PLD-FTP. Assim, a CSA foi desenvolvida com o objetivo de promover uma capacitação mais direcionada ao profissional de PLD-FTP, alinhando a certificação às necessidades específicas de cada setor e regulador. Além disso, a certificação foi reformulada para permitir uma preparação mais objetiva e personalizada. Agora, os profissionais têm a liberdade de escolher uma ou mais áreas de interesse, focando no conteúdo mais relevante para sua atuação. Por exemplo, um profissional que trabalha em uma instituição financeira pode optar por se especializar na legislação e nas normas aplicáveis ao setor regulado pelo Bacen, enquanto outro, atuando em um contexto internacional, pode escolher a CSA Internacional, que aborda legislações e práticas globais de PLD-FTP. Essa segmentação não só facilita o processo de estudo e preparação para a certificação, mas também garante que o conhecimento adquirido seja altamente relevante e aplicável ao contexto específico de cada profissional. As três categorias da Certificação são: CSA Brasil (Categoria Prata): Direcionada ao contexto nacional, permitindo a especialização em setores específicos regulados por diferentes órgãos, como BACEN, CVM, SUSEP, COAF, entre outros. Essa categoria foi criada para atender às necessidades de profissionais que desejam atuar de forma mais focada em um determinado setor no Brasil. CSA Internacional (Categoria Ouro): Focada nos conceitos fundamentais presentes em legislações internacionais. CSA Avançada (Categoria Diamante): Voltada para profissionais que já possuem uma base sólida em PLD-FTP e desejam aprofundar-se em situações mais complexas, tanto no âmbito nacional quanto internacional. Para obter esta certificação, é necessário já ter a CSA Internacional. IPLD: Vocês consultaram profissionais e especialistas do setor para a criação da certificação e como isso influenciou o processo de concepção da CSA? Curadoria: Sim, as questões da CSA foram desenvolvidas por um comitê de especialistas com ampla experiência em PLD-FTP. Essas consultas ajudaram a identificar as reais necessidades do mercado e a entender quais áreas requeriam maior atenção e especialização. Com seu profundo conhecimento das competências e habilidades essenciais para os profissionais da área, os especialistas nos ajudaram a estruturar os conteúdos de maneira que preparem os candidatos não apenas teoricamente, mas também para aplicar esse conhecimento de forma eficaz no dia a dia, capacitando-os a enfrentar desafios reais com maior segurança e competência. IPLD: A CSA oferece certificações em 3 diferentes categorias. Como a curadoria aborda a seleção e elaboração dos conteúdos para garantir que cada categoria reflita adequadamente o nível de conhecimento esperado dos profissionais e quais são os critérios para determinar os tópicos essenciais nas provas? Curadoria: A curadoria dos conteúdos para cada categoria da CSA é feita de forma criteriosa, baseando-se nas normativas e melhores práticas nacionais e internacionais. Para a CSA Avançada, são selecionados casos mais complexos que exigem um conhecimento profundo dos cenários nacional e internacional. A CSA Internacional foca nos conceitos fundamentais aplicados globalmente, enquanto a CSA Brasil é moldada para refletir as particularidades do contexto regulatório brasileiro, permitindo especializações alinhadas com as áreas de atuação dos profissionais. Os tópicos essenciais para as provas são determinados com base em uma combinação de requisitos regulatórios, práticas internacionais e feedback de profissionais do setor. O objetivo é garantir que os conteúdos abordados não apenas cumpram os requisitos de conformidade, mas também preparem os candidatos para enfrentar desafios práticos em suas respectivas áreas. Dessa forma, a curadoria assegura que cada categoria da CSA reflita adequadamente o nível de conhecimento esperado e prepare os profissionais para aplicar esse conhecimento de maneira eficaz. IPLD: Sabemos que as normativas e regulamentações de PLD são constantemente atualizadas. Diante desse cenário, para que a CSA esteja alinhada às mudanças atuais, existe um processo de revisão periódica das questões elaboradas para as provas? Curadoria: Sim, existe um processo rigoroso de revisão periódica das questões da CSA, realizado a cada seis meses. Esse processo é essencial para garantir que as provas reflitam as últimas atualizações nas normativas e regulamentações de PLD-FTP. O banco de questões é analisado por especialistas, que garantem que todo o conteúdo esteja alinhado com as mudanças mais recentes, tanto no âmbito nacional quanto internacional. IPLD: Quais são os principais benefícios que a certificação CSA oferece tanto para os profissionais quanto para as instituições? Curadoria: A certificação CSA tem várias características que a tornam atrativa para os candidatos. Uma delas é que, uma vez aprovado, o profissional recebe a certificação válida por um período de 3 anos, o que oferece uma garantia de reconhecimento contínuo de suas competências. Além disso, o exame é aplicado através de um sistema de Inteligência Artificial, o que assegura a segurança e a integridade do processo de certificação, garantindo uma aplicação justa e de alta qualidade. Outro benefício é a flexibilidade na escolha da data do exame, já que as aplicações ocorrem mensalmente, permitindo que os candidatos selecionem o momento mais conveniente para realizar a prova. IPLD: Há planos para a criação de novas categorias ou atualizações para a CSA no futuro? Curadoria: Sim, o IPLD está sempre avaliando as necessidades do mercado e as mudanças no cenário de PLD-FTP para considerar a criação de novas categorias ou atualizações na CSA. Como a área de PLD-FTP está em constante evolução, é possível que novas certificações sejam introduzidas para atender a demandas emergentes, garantindo que os profissionais estejam sempre mais bem-preparados e certificados de acordo com as mais recentes exigências do setor.
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Compliance Beyond Borders e os desafios de PLD-FT em Ecossistemas Digitais Multilaterais
A modernização dos pagamentos expandiu a economia para além das fronteiras geográficas, enquanto a regulação permanece organizada com base nelas. Nesse novo cenário, ecossistemas digitais multilaterais assumem papéis fundamentais na circulação de valores, mas ainda sem total convergência regulatória nos diferentes países onde operam.Este artigo analisa os principais pontos de atenção para PLD-FT nos fluxos cross-border envolvendo plataformas digitais globais, APMs e soluções de liquidação digital, como stablecoins. Também propõe caminhos de evolução para que inovação, inclusão financeira e integridade andem juntas.A evolução do risco na economia digitalA crescente integração de serviços financeiros em plataformas digitais transformou profundamente como o valor é gerado, distribuído e utilizado globalmente. Hoje, as relações econômicas não se limitam aos territórios onde os consumidores e comerciantes se encontram fisicamente. Usuários no Brasil adquirem produtos de vendedores em outros continentes, utilizando carteiras digitais conectadas a infraestruturas de liquidação localizadas em países diferentes.Esses fluxos, habilitados pela tecnologia, aceleram inovação, eficiência e inclusão. Mas apresentam um desafio importante para PLD-FT: a geografia econômica do pagamento tornou-se digital, enquanto a supervisão regulatória é naturalmente territorial. Essa transformação não indica falha ou atraso regulatório. Significa, apenas, que a velocidade da inovação exige evolução contínua e colaborativa dos modelos de governança, supervisão e controles.Limites do modelo tradicional de PLD-FTOs programas de PLD-FT foram construídos com base em premissas que fizeram muito sentido no contexto anterior: relacionamento direto entre a instituição financeira e seu cliente, visibilidade concentrada no ponto de liquidação, supervisão principalmente local, dentro de uma jurisdição específica.Nos ecossistemas digitais multilaterais, no entanto, essas premissas deixam de ser suficientes. Neles, há múltiplos participantes distribuídos, com responsabilidades compartilhadas; liquidação ocorrendo em diferentes jurisdições, sujeitas a padrões regulatórios distintos; tokenização e formas de monetização indireta que tornam a finalidade econômica menos evidente; além de alta escalabilidade e operações em tempo real, deixando menor espaço para intervenção.A questão não é que os modelos atuais deixaram de funcionar, mas sim que não foram desenhados para essa nova realidade e agora precisam evoluir para incorporá-la.Ecossistemas digitais multilaterais: novos habilitadores financeirosEssas plataformas, antes vistas como simples canais ou marketplaces, tornaram-se elementos estruturais do funcionamento econômico. Elas habilitam e moderam relações econômicas globais, organizam e protegem dados relevantes para o monitoramento de risco, conectam diretamente consumidores, comerciantes, meios de pagamento e provedores de infraestrutura.Em outras palavras, passam a ser pontos complementares de controle para fortalecer PLD-FT. A evolução já acontece em forma de ajustamentos regulatórios internacionais que reconhecem e valorizam o papel dessas plataformas na promoção da integridade financeira, sem frear a inovação.APMs e pagamentos cross-border: novas formas de visibilidadeOs APMs (como PIX, wallets e SPEI) e arranjos de pagamento digitais trouxeram benefícios importantes: redução de custos; aumento da inclusão financeira; velocidade e melhor experiência de consumo. Mas seus fluxos podem envolver múltiplas jurisdições, o que demanda coordenação regulatória e controles interoperáveis.Exemplo conceitual: usuário (país A) → carteira digital (país B) → liquidação (país C) → comerciante (país D).Cada participante vê parte do fluxo; nenhum vê tudo sozinho. O ponto positivo é que esse cenário abre espaço para uma nova lógica de colaboração e governança coordenada entre atores.Geografia econômica e geografia regulatória: o descompasso naturalO valor hoje circula nas redes digitais de forma fluida e a regulação, por sua vez, é necessariamente estruturada por país. Esse descompasso já é reconhecido pelos supervisores e vem sendo tratado por meio de iniciativas estruturantes, como a AMLA na União Europeia, a colaboração internacional orientada pelo GAFI e regulações com perspectiva de cadeia em países da Ásia, incluindo Singapura.Esses movimentos indicam que o mercado e os supervisores estão evoluindo juntos para desenvolver parâmetros capazes de acompanhar a velocidade das interações digitais.Rails digitais e stablecoins: eficiência que amplia a responsabilidadeStablecoins têm ganhado espaço como meio de liquidação internacional, ampliando acessibilidade, competitividade e integração financeira global. Por outro lado, trazem novas formas de visibilidade transacional, muitas vezes apoiadas em mecanismos tecnológicos como KYT (Know Your Transaction) e ferramentas de análise blockchain (Chainalysis, Elliptic, TRM Labs).Essas soluções identificam padrões de risco, avaliam exposição a endereços sensíveis, complementando o modelo tradicional de monitoramento, mas não substituem o sistema formal, fortalecendo-o em novas frentes.Travel Rule: transparência que acompanha o valorA aplicação da Travel Rule a ativos virtuais materializa um princípio fundamental para PLD-FT: se o valor se desloca globalmente, a informação deve acompanhá-lo. Seu avanço aumenta a confiança nas transações digitais, especialmente quando alinhado à governança distribuída, cooperação entre participantes e interoperabilidade técnica.O futuro aponta para combinações híbridas entre o sistema formal e novos rails financeiros, integrando dados e controles com equilíbrio.Regulação 2.0: colaboração e interoperabilidadeO fortalecimento de PLD-FT em ambiente digital global passa por:Responsabilidade proporcional ao papel de cada ator (plataforma, wallet, PSP, adquirente, banco…)Interoperabilidade regulatória e tecnológica (APIs de Compliance, compartilhamento seguro de dados, Travel Rule)Supervisão contínua baseada em risco sistêmico (acompanhando o fluxo, não apenas o ponto)Evolução coordenada entre mercado e reguladores (estratégia de parceria, não de contraposição)A integridade torna-se um projeto coletivo em que cada agente contribui com visibilidade e controles onde atua.Conclusão: inovação e integridade no mesmo caminhoNão se trata de escolher entre eficiência e conformidade. Os avanços tecnológicos trazem benefícios profundos, sociais, econômicos e de inclusão. O que se exige é que a informação certa esteja no lugar certo, os controles acompanhem a evolução dos fluxos, a supervisão continue eficaz, mesmo quando o risco se transforma. O futuro dos pagamentos é global e o futuro da integridade financeira será construído da mesma forma: com cooperação, tecnologia e governança conectada.
Série PEP: 02 – O que é PEP Titular e o que são Pessoas de Relacionamento Próximo?
05/10/2018 Atualizado em : 24/11/2023Por: Talita de CarvalhoVimos no primeiro texto desta série, o conceito por trás do termo Pessoa Exposta Politicamente (PEP). Este foi definido pelo Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), para representar o profissional que atua ou que tenha atuado em uma função pública relevante em seu país. No Brasil, o tema foi tratado pelo COAF e no que diz respeito às normas do Banco Central, o assunto é contemplado, atualmente, através da Circular 3.461/09, Carta Circular 3.430/10 e Circular 3.654/13. Já as da Susep estão contempladas na Circular 445/12 e as da CVM por meio da Instrução nº 463/08.Assim, a partir da leitura das regulamentações acima mencionadas, é possível estabelecer duas classificações importantes: “PEP Titular” e “Pessoas de Relacionamento Próximo”.Você sabe o que são?De acordo com a regulamentação brasileira, PEPs Titulares são aqueles que desempenham ou tenham desempenhado, nos últimos cinco anos, no Brasil, ou em países, territórios e dependências estrangeiras, cargos, empregos ou funções públicas relevantes.No entanto, seus familiares, representantes e outras pessoas pertencentes ao seu círculo de relacionamento, também requerem especial atenção nas relações de negócios e são entendidas como Pessoas de Relacionamento Próximo, sendo, inclusive, conhecidas no mercado como PEPs Relacionados ou Secundários.Veja abaixo a lista com cada uma das classificações:PEPs Titulares Oficiais a) Presidente e vice-presidente da República;b) Senadores;c) Deputados Federais;d) Ministros de Estado ou equiparado, de natureza especial ou equivalente;e) Presidentes, vice-presidentes e diretores de autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista da União;f) Detentores de cargos DAS nível 6 ou superior em autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista da União;g) Membros do CNJ, do STF e dos Tribunais Superiores;h) Membros dos TRFs, TRTs e TREs;i) Membros do TCU;j) Procurador(a) e Vice-Procurador(a)-Geral da República, Subprocuradores-Gerais da República e os Procuradores-Gerais de Justiça dos estados;k) Governadores de estados;l) Presidentes de Tribunais de Justiça de estados;m) Presidentes de Assembleias Legislativas;n) Presidentes de Tribunais e de Conselhos de Contas de estados e de municípios;o) Prefeitos de capitais de estados;p) Presidentes de câmaras municipais de capitais de estados;q) Pessoa que exerce ou exerceu funções públicas proeminentes em um país estrangeiro, tais como Chefes de Estado ou de Governo, políticos de alto nível, altos servidores governamentais, judiciais, do legislativo ou militares, dirigentes de empresas públicas ou dirigentes de partidos políticos;r) Pessoa que exerce ou exerceu função de alta administração em uma organização internacional de qualquer natureza, assim considerados diretores, subdiretores, membros de conselho ou funções equivalentes.Relacionados Oficiaisa) Paisb) Filhosc) Cônjuged) Companheiro(a)e) Enteado(a)f) Procuradoresg) Empresas com controle direto ou indireto do PEPh) Sóciosi) Assessoresj) Secretáriosk) Laranjasl) Advogados
KYs: Os desafios de criar e manter um programa Eficiente
No último webinar de 2025, o IPLD reuniu especialistas de destaque para discutir a espinha dorsal de qualquer programa de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo (PLD-FTP) efetivo: os Programas “Conheça”. O encontro, mediado por Núria Silva, Coordenadora de PLD-FTP da AML Outsourcing, contou com a participação de Silvia Rodrigues, Chief Compliance Officer para a América Latina na Ant International Group, e André Eduardo Demarco, Diretor de Autorregulação e Supervisão de Mercados na BSM. O debate focou na superação do descompasso entre a teoria regulatória e a prática cotidiana, explorando como as instituições podem aprimorar sua governança em um cenário de transformação tecnológica acelerada. O gap entre regulação e prática: o desafio humano e tecnológico A discussão revelou que o principal desafio do setor não é apenas tecnológico, mas também humano. André Demarco enfatizou que a tecnologia deve estar a serviço de profissionais qualificados, destacando que a retenção de talentos e o alinhamento ético da alta administração são fundamentais para a perenidade do negócio. Para Demarco, o grande desafio é conectar a visão do business e da regulação com a alta administração. Só falar não convence mais ninguém; é preciso o walk the talk, para garantir que o Programa de Integridade seja autêntico e não apenas uma “moldura” para cumprir exigências. Silvia Rodrigues complementou que o gap muitas vezes surge da dificuldade em equilibrar a experiência do cliente (UX) com a segurança regulatória. No Brasil, a segurança é parte integrante da experiência do bom cliente, que valoriza ser atendido por uma instituição rigorosa e transparente. A estrutura dos 4Ks: o coração da PLD-FTP Os Programas “Conheça” são a base para identificar, avaliar e mitigar riscos. Eles se dividem em quatro frentes essenciais: KYC (Customer): Foco no monitoramento do ciclo de vida e não apenas no onboarding. KYE (Employee): Mitigação de riscos internos e proximidade com colaboradores em posições sensíveis. KYP (Partner): Avaliação de riscos em parceiros de negócio. KYS (Supplier): Diligência sobre a cadeia de fornecedores. Aprendizados técnicos em destaque Os debates técnicos ao longo do encontro evidenciaram um ponto comum: a maturidade dos Programas de PLD-FTP passa, cada vez mais, menos pela existência formal de políticas e mais pela capacidade das instituições de operá-las de forma contínua, proporcional ao risco e alinhada às exigências regulatórias. Nesse contexto, os aprendizados compartilhados reforçam desafios práticos enfrentados no dia a dia das áreas de Compliance, especialmente diante de um mercado diverso, dinâmico e em constante transformação. KYC: O Desafio do Monitoramento Contínuo O mercado é heterogêneo, mas a regulação é a mesma para todos (de grandes bancos a iniciadores de pagamento). André Demarco destacou que a maior dificuldade atual não está no onboarding, mas na gestão do ciclo de vida do relacionamento. Abordagem Baseada em Risco (ABR): Deve orientar diligências proporcionais e coerentes com a realidade operacional; Etapas fundamentais: Coleta, verificação e validação são processos distintos que exigem ferramentas e olhares específicos; O limite do mínimo regulatório: Silvia Rodrigues observou que o mínimo exigido pela regulação atual já é bastante rigoroso, deixando pouco espaço para flexibilizações no KYC inicial, mas permitindo o uso da ABR na atualização cadastral. O monitoramento contínuo é essencial, pois o perfil transacional do cliente muda constantemente. Inteligência Artificial e o limite da diligência Um dos aspectos mais relevantes do evento foi o papel da Inteligência Artificial (IA). Embora indispensável para ganho de escala, ela não substitui o julgamento humano em casos de alto risco. Silvia destacou que o limite da diligência institucional termina onde começa a investigação criminal. Quando o risco se torna excessivo a ponto de gerar insegurança ou demandar táticas estritamente investigativas, a instituição deve reavaliar seu apetite de risco e a continuidade do relacionamento. KYE: Integridade de dentro para fora O Know Your Employee (KYE) foi apresentado como um pilar de Integridade interna. Para os painelistas, conhecer o colaborador vai além de checar o currículo; trata-se de proximidade e conscientização. Apetite de risco claro: A alta administração deve definir e comunicar de forma objetiva o apetite de risco da empresa por meio de documentos de atestação. Reconhecimento e cultura: Valorizar a primeira linha de defesa quando ela identifica red flags é mais eficaz do que apenas monitorar sinais exteriores de riqueza. Missão social: O Compliance em PLD-FTP possui uma dimensão social que transcende a empresa, contribuindo para uma sociedade mais ética e segura. O evento encerrou com uma mensagem de cooperação: os riscos não estão apenas fora, mas também podem estar dentro das instituições. A continuidade da inovação financeira dependerá da capacidade de alinhar a eficiência dos negócios com a responsabilidade de conhecer profundamente quem está do outro lado da relação.
Leituras de Fim de Ano: Livros Fundamentais Sobre PLD-FTP
Entre transformações regulatórias, avanços tecnológicos e debates sobre integridade corporativa, este ano consolidou debates essenciais para profissionais de Compliance, Integridade e Prevenção à Lavagem de Dinheiro.Para encerrar o ano, separamos cinco livros fundamentais sobre questões atemporais, obras que oferecem conhecimento técnico e reflexões estratégicas sobre Integridade, Prevenção a Crimes Financeiros e as dinâmicas globais que impactam o setor. Veja nossas indicações.Sistema Financeiro em MovimentoCo-autoria: Cintia Maria Ramos FalcãoA obra reúne análises de profissionais e acadêmicos, oferecendo um panorama sobre os desafios e inovações que moldam o mercado no Brasil e no mundo. A coletânea explora cases internacionais, mudanças regulatórias, impactos concorrenciais e tendências emergentes. Destaca-se o Capítulo 8 – “Cashless: O Fim do Papel Moeda?”, de autoria da advogada Cintia Maria Ramos Falcão, que analisa a digitalização dos meios de pagamento e os impactos da redução do uso de dinheiro em espécie.Tema central no contexto brasileiro atual, marcado pela expansão do Pix e pelos desafios de rastreabilidade de transações em um mercado cada vez mais digital.Desafios do Compliance: Teoria e Prática por Profissionais do MercadoOrganização: Beno Fraga Brandão, Felipe Américo Moraes, Maria Victória da Fonseca EsmanhottoO livro oferece uma abordagem sobre os desafios enfrentados na implementação de Programas de Compliance nas empresas. Com contribuições de estudiosos e profissionais da área, o exemplar vai além da teoria, trazendo uma visão sobre os problemas encontrados no cotidiano corporativo. Por meio de artigos estruturados, os autores compartilham experiências vividas no campo e discutem soluções aplicáveis a problemas práticos.Leitura essencial para aprimorar Programas de Integridade com base em casos reais, especialmente diante das crescentes exigências regulatórias do setor.Dirty Entanglements: Corruption, Crime, and TerrorismAutoria: Louise ShelleyUtilizando estudos de caso dinâmicos, este livro analisa a transformação do Crime e do Terrorismo e a lógica de negócios do terrorismo. Louise I. Shelley conclui que a Corrupção, o Crime e o Terrorismo continuarão sendo desafios importantes para a segurança no século XXI devido às desigualdades econômicas e demográficas no mundo, ao aumento da violência étnica e sectária, às mudanças climáticas, ao crescimento da tecnologia e à falha das instituições do século XIX e XX em responder a esses desafios.Perspectiva social e global sobre os fenômenos que conectam Corrupção, Crime Organizado e Terrorismo — temas que ganharam destaque com a atualização das recomendações do GAFI neste ano.Aulas de ComplianceAutoria: Claudio PeixotoO livro apresenta uma abordagem abrangente e prática sobre os fundamentos e desafios da área de Compliance e Integridade Corporativa. Dividido em cinco capítulos, a obra explora desde aspectos éticos e humanos do Compliance até o perfil ideal dos profissionais da área, os pilares de Programas de Integridade e o custo da Corrupção. Com ênfase em investigações forenses, a obra detalha metodologias para apuração de fraudes, incluindo contabilidade forense, entrevistas e shadow investigation, além de abordar as dinâmicas do triângulo da fraude, red flags e os tipos de fraudes mais comuns no Brasil.Indispensável para compreender ferramentas práticas de detecção e prevenção, tema sempre atual na Gestão de Riscos Corporativos.Crime Organizado e a Lavagem de DinheiroAutoria: Dr. Fausto Martin de SanctisA obra apresenta uma análise aprofundada da legislação nacional e dos tratados internacionais sobre o tema, explorando aspectos ainda pouco consolidados no ordenamento jurídico, como a destinação de ativos apreendidos e os procedimentos decorrentes de acordos de colaboração premiada. Com abordagem voltada à aplicabilidade prática, o autor oferece um panorama técnico sobre os desafios interpretativos e operacionais do combate à Lavagem de Dinheiro.Referência fundamental em um cenário marcado pelo aprimoramento contínuo das estruturas de prevenção e combate a crimes financeiros no Brasil.Estas cinco obras oferecem perspectivas valiosas sobre os temas que marcaram o universo de PLD-FTP, Integridade e Compliance. São leituras fundamentais sobre assuntos atemporais, essenciais para quem atua na prevenção a crimes financeiros. Que estas indicações contribuam para um encerramento de ano ainda mais produtivo. Boa leitura!